
Existes nos meus sonhos.
Ouço o teu riso naquele limbo
incorpóreo entre a realidade e a fantasia.
Sentas-te comigo na relva e
acendemos uma fogueira.
As labaredas protegem-nos do bafo gélido da noite e
dançam no teu rosto.
Mergulho nessa luz celestial, eternamente romântica, como
um banho à luz de velas.
O céu abre-se. A lua está ainda na fase cheia. A minha
estrelinha pisca-me o olho.
O novo ano começa. É um bom prenúncio.
Surges-me
com traços divinos, com a loucura dos que nada temem, com a intensidade
vulcânica dos momentos fugazes.
Em mim, a permanência. Aquela certeza que
carregam os que amam sem esperarem nada em troca. Uma vez Tua, para sempre Tua.
Mesmo que num incorpóreo à semelhança do limbo que nos separa.
Mesmo que
já não existas concretamente, ou que nunca tenhas existido.
A matéria é a mera expressão
física do que não cabe na união de dois corpos.
Somo-nos assim mesmo, nesta
ausência indeclinável.
Rebenta o fogo de artifício. O esplendor perpetua-se.
Chuvisca. Soltam-se fadas das brasas incandescentes, que abençoam e encantam.
Seguem-se doze passas nada tradicionais. Sorrio a cada uma.
Desejos, tenho
menos, mas neles cabes tu, de uma forma que por superstição não irei revelar,
dentro e fora dos sonhos que nenhuma vida, nenhuma morte poderá levar de mim.
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