19 Novembro 2011

Nicest Thing



"All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something

I wish I was your favourite girl
I wish you thought I was the reason you are in the world
I wish my smile was your favourite kind of smile
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style

I wish you couldn't figure me out
But you'd always wanna know what I was about
I wish you'd hold my hand
When I was upset
I wish you'd never forget
The look on my face when we first met

I wish you had a favourite beauty spot
That you loved secretly
'Cause it was on a hidden bit
That nobody else could see
Basically, I wish that you loved me
I wish that you needed me
I wish that you knew when I said two sugars,
Actually I meant three

I wish that without me your heart would break
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake
I wish that without me you couldn't eat
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep

Look, all I know is that you're the nicest thing I've ever seen
And I wish that we could see if we could be something
Yeah I wish that we could see if we could be something"

22 Agosto 2010

22




Todos os dias para mim são agora este Número Mestre. Todas as noites são a ampliação do mesmo. Sou atingida pelas suas vibrações poderosas, que me roubam o sono ao invadirem-me o íntimo de sensações que me transcendem e enlouquecem. Segundo as interpretações celestiais, é a sequência mais elevada de todas: construtiva na iluminação, destrutiva na frustração. Nas paredes sarapintadas do quarto onde não pernoitas, o par esboça uma assombração iminente. Há quem chame insónia à ausência de ti, mas é esta intuição sem nome que me atormenta... e esta culpa metabólica de não conseguir indicar-te o caminho definitivo de volta para casa. Abasteço-me abundantemente de géneros que não consumo, de livros que não leio, de músicas que não ouço, para ocultar a miséria globalizada da minha vida. Flutuo entre muros e tectos, sem chão e sem abrigo, sem descanso, pelo claustro voluntário em que mergulhei, à espera da aurora que não chega. Agarro-me à dormência das extremidades latejantes do meu cérebro, à procura de um qualquer desmaio, mas não adianta. Não durmo. Estou aqui, na companhia de um maço que se acaba. Nada sei a não ser do que preciso neste vazio que engulo aos solavancos: a anestesia volátil do álcool que não ingiro, o relaxe inteligível da droga que não fumo, a letargia instantânea dos soporíferos que não tomo. Sento-me e debruço-me sobre as palavras salgadas que flúem em dilúvio. Não me lamento das contracções que me percorrem os músculos, nem dos soluços em que me engasgo. Não há queixume no isolamento do mundo a que me sujeito, consciente de mim. Forcei-me a adoptá-lo, quando tantas vezes me foi imposto e seria/será ainda, para que não me volte a escapar. Fatídico como um cancro que se conhece, não como um súbito acidente de viação. Igualmente insuportável, mas de mais fácil aceitação. Não existe assim o choque frontal com o espanto e o horror. Existe sim o desalento mórbido, a hora demorada e humedecida, a tortura ora lânguida ora desesperada, o dia que se repete sucessivamente na esperança vã do milagre.
Hoje amanheço na praia de um Outubro nosso, onde nos banhámos e amámos sem limites. O sol afinal já vem aí, mas não nasce para mim. Levanta-se enquanto eu me deito e absorvo as réstias indeléveis do teu cheiro na almofada e sonho ainda acordada com um “até já” que não acontece.


photo: 22 by disconnactuseractus

Não foste tu quem me trouxe aqui. Caminhei pelos meus próprios cascos, descalça e vulnerável, saltei aturdida do curro para uma arena sem saídas de emergência. Vi-me encurralada. Aproximei-me de ti como besta ingénua e curiosa que fareja. Reconheci-te e confiei-me. Um dia alimentaste-me os sonhos mais puros, as fantasias mais secretas. Coloquei-me por isso à tua mercê. Dei de mim tudo o que tinha e tudo o que a vida me emprestou. Não te temi após as primeiras investidas. Estranhei-te, como um filho espancado por um pai alcoolizado, que não percebe o que fez para o provocar. Não te temi quando me tingiste de vermelho. Encolhi-me e chorei, achando que a culpa era minha. Não te temi quando a incredulidade me tomou de assalto ao insistires nos golpes. Nem tentei escapar. Permaneci, hirta e quase firme. Depois a dor tornou-se acutilante. Revoltei-me contra ela. Sentidos entorpecidos, agredi-te com o ímpeto próprio do instinto natural de sobrevivência. Parti madeira e ferro, rasguei pano e pele, ensandecida. Debati-me como qualquer animal atingido mortalmente. Parti-te a ti. Mas nunca quebrei laços.

Agora desfaleço devagar. O meu couro não é tão resistente como o de outros membros da raça bovina, nem a minha subespécie é adaptada aos frenesins tauromáquicos. Tenho o mar a jorrar-me dos olhos e o sangue das artérias. Já nada no meu ser moribundo clama os arrufos da tua desumanidade. Já não há força no meu tumulto que me acoberte de ti. Deixa tombar as bandarilhas, arranca de mim as garrochas e degola-me. É o único acto de misericórdia que te resta. Ou quebra decisivamente e mistura o teu sangue com o meu, resgatando-me assim desta morte lenta.




19 Agosto 2008

A cada segundo da minha existência




Querer falar-te em gestos, mais do que em palavras,

do arrufar infatigável da saudade no meu peito

em dias uns iguais aos outros, de monotonia imperturbável,

nos lugares a sós onde o teu toque ausente ocupa todos os meus sentidos.

Porque nestas horas em que não te falo, o meu pensamento voa até ti

como as ondas na constância nítida das marés,

e toda eu sou sal por dentro,

em amor e nostalgia.



photo: haleh bryan


01 Abril 2008

sem fim


Hoje

Quis escrever-te palavras harmoniosas,

Tão bonitas como o que sinto,

Tão apetecíveis como tu,

Tão sublimes como o sonho que te abraça

E me preenche.

Lancei o meu espírito ao vento,

Qual barco à vela num mar multicolor,

Rumo ao horizonte onde resplandeces.

Senti-me extasiada com a visão,

Ansiosa, por antecipação,

Incrédula, pela possibilidade,

Devota, com uma fé inabalável,

Feliz, pela memória que trago

do tanto que me fizeste sentir já,

Num tão curto espaço de tempo,

Como um nevão inesperado

que se deita sobre um vale,

Cobrindo tudo de um branco imaculado,

Criando uma paisagem nova,

De onde só brotam as sementes mais resistentes,

E os desejos mais firmes.

De onde nasce uma nova vida,

Frondosa e sagaz,

Que se espalha, infatigável,

Pelo mundo que espera

A conquista inevitável do amor

Que nos enriquece e alimenta

Todos os dias.




03 Março 2008

cronónimo



O desfilar incerto de números

que se vão acotovelando numa calçada temporal,

sempre prontos a vestir memórias.

Números de semblante domingueiro,

aos quais deixei de conseguir dar suma importância,

pelo ócio e negligência que foram introduzindo

nos percursos debotados que tracei a dois.

Primeiro, atravessei-os

com aparente indiferença.

Depois, comecei a ignorá-los

sem nunca os conseguir esquecer.

Até perderem a capacidade de se evidenciar

no arrancar das folhas dos calendários que não uso.

De repente, surgiste tu, a dizeres-me de ti.

Espelho difuso da minha alma.

Reflexo de tudo o que pretendi esquecer de mim mesma.

Despiste-me a noite.

Vestiste-me o dia.

Preencheste os espaços que não identificava vazios.

O consentimento mudo e mútuo

de um amor por desabrochar, encoberto.

Dei-me, sem me aperceber,

novamente aos números.

Mais ainda a ti.

Guardei todos os pedacinhos datados

do que fomos espalhando pelo quotidiano.

Algarismos em sensações.

Sensações em haste e estirpe.

Raízes que rasgam a terra onde se fundaram,

palmilhando impetuosamente terrenos desconhecidos.

Paraíso em bruto,

foi o que descobri.

Contíguos os desejos,

as imagens de infinitas possibilidades.

Pensamentos em molde de alianças.

Sonhos de configurações juvenis.

Os nossos filhos.

A nossa casa.

A vida em sobressaltos de cores primaveris

e tempestades tropicais.

O espanto e a novidade de me saber tão longe tão cedo,

tão dentro e tão além, tão eu em nós,

com todas as expectativas que recusei

ao longo de uma eternidade à qual não pertencias

…ainda.





25 Fevereiro 2008

hoje

A minha visão nem sempre é tão nítida como a de um girassol. Nem tão perfeita como os contornos do teu corpo. Os meus olhos, como eu, são inacabados. São olhos que se ofuscam perante a luminosidade que irradias em momentos de fusão.
O meu toque não é tão leve como um sopro. Nem tão pesado que não se levante e paire sobre a essência do caminho a percorrer, ainda. Braços em grua, que procuram erguer sobre a tua pele a permanência.
O meu paladar não é tão apurado como o de um provador de vinhos, nem tão ténue como o de uma gripe. Distingue, no entanto, todos os teus sabores, mesmo na ausência deles.
O meu olfacto... bem, esse, é o de um animal irracional, incontrolável e certeiro. Absorção inevitável de tudo o que se cola à pele. Cheiras-me a Casa. Aquela onde te encontras, meu único e indubitável porto de abrigo.
A minha audição é a mais falível de todos os sentidos. Porque nem sempre te ouço com os ouvidos de dentro. Falho. Escorrego. Caio. Magoo-me. Fujo. Não deixes de insistir, nem desistas de mim, por isso. Falta-me o amor a mim própria para que não me deixe enganar estupidamente perante as provas que me colocas.

Hoje, meu amor, hoje, precisava de ti por um mero instante de partilha, de empatia rara, de entendimento mútuo. Porque (re)nasço. Porque me faz sentido este querer(-te) para além de tudo e de todos.

Sou o teu berço e o teu túmulo. A vida para lá de tudo. A morte a cada instante de dor. Tudo o que sempre quiseste e tudo o que sempre odiaste. O mundo que é o teu. Eu.

Tu... a minha Vida. Mesmo quando choro. Como hoje.





09 Janeiro 2008

solstício

Fazer amor contigo é música. O som é o das ondas do teu corpo e o das raízes da tua voz a crescer. Sons do Mar e da Terra. Em ti. Depois o silêncio. A elevação. Subo à doçura de uma nuvem com o teu rosto. Sonho dentro dos teus olhos. E novamente as forças da Natureza. Beijo-te. Línguas quentes de cheiros. Línguas escritas que se engolem, se alucinam e que imprimem nas peles pungentes a humidade das palavras. Dedilho coisas indecifráveis pelas ruas do teu corpo. Sei-te pelo tacto. E chamo-te para me saber viva. Tu vens e arrebatas-me. A minha ebriedade é a da sede e a da chama. Amo-te na invisibilidade das coisas, na ruptura das minhas forças, no etéreo espaço imaculado ao expoente máximo da loucura. Amo-te em total abandono. Concretizá-lo é música. Volto aos sons.




photo: Ariels Wipeout by groundlingchild


14 Novembro 2007

passagem



O doce sabor do ópio da pele.

Abres a boca, e ofereces-me mil mundos novos.

Hoje não consegui fazer nada senão pensar, e isso já parece tanto. Demasiado, até.
Haverá alguma razão para o horário laboral ser o pano de fundo mais propício a isto?

O cenário mais apropriado a solilóquios ardidos e renascidos das cinzas?

Quero carne, suor, lágrimas…talvez até sangue. Obscenidades faustosas.
Quero uma dose de álcool, porque dificilmente haverá beleza como a dos sentimentos embriagados.
Quero morrer de madrugada, afogada em volúpia. Ao teu lado.




photo: The Opium Wars2 by AmorouslyFading